“Espelho meu, quem desejo ser eu?” – VEM REFLETIR CONNOSCO – Uma iniciativa que a Cruz Vermelha Trofa/ 4GIR lançou aos jovens do concelho.

A Lara e a Antonella, apesar de estarem no 10º ano, foram incentivadas pela docente de português que as acompanhou ao longo do 3º ciclo a participar num projeto da Cruz Vermelha, 4GIR, que desafiou os jovens do concelho a escrever um texto sobre o tema “Espelho meu, quem desejo ser eu?” com o intuito de darem a cara a uma iniciativa – VEM REFLETIR CONNOSCO – Entre 16 e 31 de Maio – 14h30-17h30 no Parque Nossa Senhora das Dores Trofa – publicitando-a nos flyers de divulgação. Vamos poder vê-las por aí e, muito importante, viajar no “nosso eu” através dos seus testemunhos que, para além de bem escritos, demonstram sensibilidade, bom senso e amadurecimento! PARABÉNNNSSSS, meninas lindas e promissoras, como tantos mais que já fizeram alguma da sua caminhada na nossa escola!
Ficam os testemunhos para quem aprecia uns minutos de boas e saudáveis leituras!
“Espelho meu… E se eu visse o meu futuro, daqui a alguns anos, refletido no espelho? Será que teria seguido medicina como tanto queria, ou será que teria optado pela criminologia, que também captava tanto a minha atenção? Viveria num casarão com que tanto sonho, com dezenas de animais, ou seria diferente? A verdade, é que não faço a menor ideia. Todos nós lutamos por um futuro bastante incerto. Queremos esforçar-nos ao máximo, dar sempre o nosso melhor… queremos conquistar os nossos sonhos, mesmo sabendo que ao longo do caminho estes podem vir a ser ligeiramente ou radicalmente modificados. Os adultos estão constantemente a dizer-nos que os adolescentes e jovens, como nós, ainda têm muito por descobrir, e nos momentos mais stressantes isso até pode parecer simplesmente a forma que encontram para não os incomodarmos com os nossos problemas, segundo eles, infantis. Mas se formos a ver cuidadosamente, essa é apenas a mais pura das realidades, e ainda bem! São milhares de hobbies, paixões, amizades, aprendizados, tantas experiências e oportunidades a aguardar pela nossa chegada. Tudo isto acaba por nos mostrar que até podemos ter um objetivo bem definido agora, mas talvez não seja o mesmo daqui a cinco, dez ou vinte anos. Todos vamos crescer, aprender com os erros que vamos cometendo ao longo da jornada. Todos vamos descobrir o mundo à nossa volta, cada um à sua maneira, claro. Todos vamos abrir os nossos horizontes e sonhar cada vez mais alto. Contudo, apesar de toda esta montanha-russa, é importante termos sempre em mente a criança que um dia já fomos, e que vai estar sempre no nosso interior. Apesar de não parecer, é importante lembrarmo-nos dos sonhos que tínhamos com 6 anos… acho que já todos quisemos ser astronautas um dia. A nossa fase de criança foi a fase com mais garra que já tivemos, a fase mais sincera connosco próprios e mais curiosa com tudo o que nos rodeia e, por isso, nunca podemos deixar de dar ouvidos àquela voz dentro de nós que sonha alto e sabe que conseguimos chegar onde quisermos na vida, desde que acreditemos e façamos por isso todos os dias. Não é apenas a nossa imaginação, é a nossa criança interior a comunicar-se connosco e a dar-nos confiança para nunca, em nenhuma circunstância, desistirmos. Um dia, vamos olhar para trás e ver que todo o esforço valeu a pena! Vamos ficar felizes por termos suportado as noites mal dormidas por estudar até tarde, a ansiedade e o nervosismo antes dos testes, e até mesmo termo-nos privado de sair com os nossos amigos durante alguns fins-de-semana. Afinal, pensando bem, não, eu não sei onde estarei daqui a alguns anos. Talvez esteja num consultório a cuidar da saúde das crianças diariamente, ou talvez me depare todos os dias com uma cena de crime e um mistério diferente para resolver. Só posso esforçar-me todos os dias sem nunca desistir e esperar para ver o que o futuro me reserva. No final de contas, o que importa é fazermos o que amamos, sentirmo-nos bem na nossa profissão e sermos felizes, penso que, esse sim, é o sonho que vai permanecer para sempre!” Lara Gonçalves 10ºano Escola Básica e Secundária de Coronado e Castro

“Espelho meu, quem desejo ser eu? Olá, o meu nome é Antonella. Desde muito jovem me interessei por resolver problemas e pensar em formas de mudar o mundo, tinha imensas decisões a tomar sobre o meu futuro, tinha metas e objetivos já planeados, mas deixei muitas coisas para trás porque, há dois anos, os meus pais decidiram fazer uma viagem incerta… não sabíamos qual seria o nosso destino. Durante esta viagem, aprendi muitas coisas novas que fizeram mudar as minhas prioridades e pensar em assuntos nos quais nunca tinha pensado antes e que para algumas pessoas são insignificantes, mas para mim e para outras, valem mais do que todo o dinheiro do mundo. Descobri que nem todos os sorrisos têm emoções felizes e que algumas pessoas vivem as suas vidas a ocultar os seus sentimentos. Isto fez-me pensar, será que me conheço realmente? O que é que eu quero fazer no futuro? Tudo isto rodopiava na minha cabeça até que decidi olhar-me no espelho. Quando vi a minha imagem refletida no espelho, vi uma Pediatra que ajuda muitas crianças e pessoas, cujo seu principal objetivo é criar uma fundação oncológica infantil para ajudar e animar todas aquelas crianças que merecem ser felizes neste mundo. Além disso, outro dos meus objetivos é poder ajudar muitas pessoas que estão a passar ou passaram por um processo migratório, pois eu mesma passei por lá e a minha experiência pode falar mais alto. Como pessoa, quero mudar alguns comportamentos e pensamentos que existem na sociedade, para que possamos compreender que somos todos iguais e que não é por termos mais ou menos bens materiais ou meios económicos que somos superiores ou inferiores aos outros. Com a minha ação quero que as pessoas compreendam que não precisamos de uma razão para ajudar os demais. É assim que vejo o meu futuro quando penso nele, acompanhada pela minha família, aproveitando cada minuto com eles, e lembrando que nada é fácil na vida, que temos de trabalhar arduamente para alcançar os nossos sonhos e objetivos mas que é esse mesmo trabalho, é essa dádiva que nos faz crescer como pessoas mais completas e felizes. Esta é a minha mensagem, espero poder partilhar mais da minha história convosco, porque sei que esta é apenas a primeira parte de uma história que estou a construir dia a dia, neste país que é agora a minha casa.

“Antonella Pérez, 10ºano. Escola Básica e Secundária de Coronado e Castro


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